
Que tal contar pra eles do sonho acordado?
Estou levemente impaciente e com dores de cabeça. Esses diálogos me deixam puto quando acontecem sem que eu queira.
Olha, eu não tô afim de contar nada pra ninguém cara. Me deixa fumar em paz.
Você tá com medo de parecer retardado né?
...
Mas todo mundo sabe que você é meio doido. Se não contar, eu conto.
Você é só fruto da minha imaginação. Se eu não quiser que fale nada, você não fala nada.
Você é que pensa, retardado.
Bastardo...
HEHEHEHEHEHE
Ele estava parado em frente ao portão. Um círculo estava desenhado no alto do mesmo e ele sabia que cruzar aquilo seria loucura. Ele não tinha o menor poder ali e apesar de saber meia dúzia de truques, não adiantaria muito naquele lugar. Se sentia oprimido e pequeno. Como se estivesse em frente ao portão do Inferno. Mas o que diabos aquele moleque estava fazendo ali? Ele deve ter aprontado muito...
Ele sentia calor. Parecia que iria começar a pegar fogo de uma hora para outra. A névoa no chão não tinha nada a ver com o cenário em tons de sépia. Era questão de tempo até ele me chamar com medo e pedir para que eu o tirasse de lá, que o fizesse acordar com medo em sua cama. Me renderia muitos lucros, mas até que eu gosto do merdinha. Ele era observado de longe, totalmente acuado e com medo. Ele tinha duas escolhas - ficar ali por um tempo incontável ou abrir o maldito portão. Bem, depois de fumar um cigarro ele resolveu abrir aquele portão. Ri quando ele queimou a mão e ri mais ainda quando ele notou que era só falar que o portão abriria. Ele não tinha a menor idéia de onde estava e não tinha a menor idéia de que era tudo armado. Eu queria que ele precisasse de mim, queria que ele tivesse débito.
Shakar*, apareça! Tenho medo e não consigo sair daqui - ele gritou com lágrimas nos olhos.
E por que tem medo?
Merda, tá escuro e quente e eu não sei onde estou. E tenho essa sensação de estar sendo vigiado.
Você deveria ficar mais. Ande mais um pouco e ache uma árvore.
Ele xingou baixinho e continuou vagando em meio ao nada. Notei sua impaciência e seu medo o fazerem chamar duas ou três vezes pelo acordar. Ri. Ele era medroso mas tinha jeito para crescer por ali. Mas era preguiçoso e imaginoso de mais. Resolvi ajudar e mostrei à ele onde estava a árvore. Ela era esguia e tinha folhas amarelas, frutos vermelhos e um halo azul em volta da copa. Ele se sentou, em sua base, e começou a recitar versos em Buthadamara-mudra. Espertinho. Ele iria passar 40 dias e 40 noites no deserto e nem sabia disso. Não se preparou com um banquete e nem levou água. Ele iria sofrer e crescer. No fundo, eu gosto do garoto.
Om Namo Shivaya Shankara Namah
Jai Guru Deva Om
Maldito bastardo de merda, me tira daqui.
Um triângulo com aros de fogo desce dos céus e se une a um que sobe.
Um pentagrama é traçado no ar, partindo do alto para a esquerda.
Um cubo é desenhado com aros de fogo.
Um triângulo isósceles é traçado ao centro.
Um segmento de reta.
Um ponto imóvel.
Silêncio.
Ele acorda na sala de aula, completamente suado e chorando. Todos o olhavam.
Eles não sabiam o que era o Inferno. E nem ele, mas estivera próximo de saber.
Pronto, agora eu fico calmo
Você fala pra cacete, maldito arlequim
Que moça! Acende um cigarro aí
Cara, esse treco tá sem noção de patético
Faz jus a quem escreve HEHEHEHEHEHE
*Shakar é um nome fictício.

Um comentário:
A vantagem do blog é que você não precisa esperar 1 dia pra postar de novo. :P
Eu gosto bastante do teu toque 'místico'. :)
Bons sonhos pra ti! :*
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