sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O remédio começa a fazer efeito e a distorção sensorial que tem começo é quase magnífica; não fosse a situação e o contexto, eu diria que uma das melhores ocasiões nos últimos tempos.
Minha cabeça está levemente confusa e não sei o que escrever, não sei o que quero externar.
Briam Molko está descrevendo a dor com uma maestria invejável e minha agonia não é menor que o efeito dos remédios. Tudo isso me parece um vício doente do 'não se ter' e pra falar a verdade eu não sei ao certo o significado disso. Me sinto vazio e ao mesmo tempo repleto. Queria me enforcar agora mesmo, por que por algum motivo a morte me parece prazerosa. Meus olhos ardem e eu não quero me deitar. Não queria saber que vou acordar. Não queria saber que sera mais uma noite de sonhos sem sentido seguidos de um despertar doloroso. No fundo, eu não queria ter certeza de nada, mas infelizmente tenho certeza de algumas coisas que realmente fazem uma notável diferença. Deus está em crise, e não a nada a fazer se não esperar.
Passivo agressivo, até o último dos dias. Mas eu não quero que hajam mais dias.



Eu não quero mais o gosto.
O cheiro.

O tato.

sábado, 7 de novembro de 2009



Ele acende um cigarro com impaciência. Toda aquela tensão o estava matando - já não sabia como contar o tempo e nem como se mover ali. Notava que era um sonho mas permanecia dormindo e não entendia o por que desse estado. Imagens e passagens cognitivas lhe passavam pelos olhos, mas ele estava como que possuído por uma nova fé e preso em um círculo que o impedia de manifestar-se plenamente. Isso o irritava, por que aparentemente eram processos comuns que poderiam ser driblados com um mínimo de paciência e concentração.
Rostos familiares se mesclavam a pessoas totalmente estranhas e os sonhos se intercalavam de tal maneira que era impossível distinguir os significados. Não atendia chamados por mais que os ouvisse e não cedia a presença por mais que quisesse. Estava estéril em um universo altamente fecundo.

- Ei, 'kami-sama', por que diabos estou preso nessa esfera?
- Por que você deixou de crer.
- Mas eu acredito em sonhos.
- E antes não se explicava.

domingo, 18 de outubro de 2009

Eu confesso que hoje, apesar da vontade de explicar uma ou duas coisas, não vou falar nada que tô MORTO de sono.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Você tem medo da morte?
Não é bem medo... é mais como se eu não soubesse o que rola
Pode ser algum reflexo daqui. Eu não sei o que acontece, nunca morri do jeito biológico da coisa
Cara, você nem existe de verdade, para de falar merda
HEHEHEHEHE
Me diz, qual a importância real desses sonhos e visões?
Não sei se tem uma importância real. Talvez seja a importância que você dá e o que faz com o conhecimento que adquire disso. Não sei, não fui eu quem criei essas coisas.
Você fala de mais, deveria saber de mais também.
Tudo tem um preço, padawan.







Estou sentado nessa espécie de sala há horas. Não tenho vontade de sair dela e nem necessidade, mas estou começando a ficar realmente entediado. Imagino o centro de uma cidade qualquer e começo a deslizar para lá. Pessoas, tráfego, sinais e postes. Tão artificial que me parece estúpido acreditar. Não é como se eu acreditasse nessas coisas, é mais como se a minha percepção sensorial me prendesse à elas. Mas agora não estou à mercê de minha percepção sensorial.
Dou um sorriso e penso no semáforo. E se eu conseguisse, por um segundo que fosse, mudar a cor do sinal? E se eu conseguisse, por um segundo que fosse, alterar a realidade sensorial através dessa outra consciência? Eu deveria tentar, eu começo a tentar, mas algo tira minha concentração.

Ela estava com a roupa do dia em que nos conhecemos. Atravessava a rua com seu ar sério e fazia com que as pessoas olhassem para ela mesmo que ela mesma não notasse isso. Senti um aperto no peito e a imagem começou a se dissipar. Um grito. Me sinto irado. Ódio. Quero mais que tudo perturbar a ordem tangente das coisas e mudar a realidade de acordo com minha vontade. A imagem do local começa a se moldar e me vejo no quarto. Não era possível - havia algo de errado. Nem eu ou ela morávamos mais ali - já haviam se passado meses desde que tudo acontecera. Mas eu estava ali. E o quarto estava vazio - só haviam as marcas que havíamos deixado ali. Senti uma leve ponta de nostalgia e notei que não estava sozinho ali.

Você demorou pra voltar aqui.
Ando ocupado, não posso ficar preso a um acontecimento irreversível.
Fugir te ajudou em alguma coisa?
E quem disse que eu fugi?

Naquele momento me dou conta que estou presente em cada canto daquele lugar. Ali era uma espécie de lugar mágico para mim e nos influenciávamos. Sinto enjôo.
Noto que há uma Águia pousada no parapeito da janela. De costas para o quarto. Na sala, um Boi estava deitado onde antes era o sofá. No outro quarto, um Leão estava sentado, olhando diretamente para mim. Esphinge. Droga, mas eu não tenho tempo para esses jogos, isso é quase irrelevante para mim agora.

Não é por que você não quer que aconteça que não é importante.

A Serpente me olhava com um ar sedutor. Estava enroscada em meu braço direito e mantinha a cabeça afastada do meu corpo. Todos estavam ali - razão, instinto, emoção e vontade. Aquela era a hora zero na minha possível multi existência. Talvez fosse bobeira dar importância àquilo. Merda, tenho uma vontade incontrolável de olhar as palmas de minhas mãos. Mas não vou fugir. Não posso. Tenho que terminar isso, tenho que ver o que aconteceu.

Você me ama?
*Finjo que estou dormindo*

Então todos os animais somem e resta somente eu. Até mesmo 'ele' tinha ido embora. Ela não devia demorar mais tempo.
Ela chega pela janela, vestida como da primeira vez que a vi. Sinto o calor subir por mim, tomar conta dos meus pensamentos e sinto que vou acordar. Me concentro, digo algumas palavras e sei que ela nota minha apreensão. Ela me devora com os olhos e me rouba os pensamentos.

Toque-me. Posso ser sua agora. Você pode me ter aqui, sempre que quiser.

Caminho em direção à ela, com a mão direita estendida. Toco seu rosto. Sinto o calor de sua pele.
Com violência, arranco seu rosto. Ele sai como cera, em minha mão. Seu corpo cai e me sinto zonzo. O quarto gira e eu não sei mais onde estou.

Você tem certeza que quer jogar esses jogos?
Eu SOU esses jogos! Não me tente!

Acordo suado, mas com sensação de paz. Sinto no meu peito a sensação de ter sido tocado. Não me lembro bem do sonho, parece que ainda estou naquele quarto onde promessas e imagens foram criadas. Meu fantasma, enfim, havia achado paz.
Me levanto, acendo um cigarro e vou tomar um copo d'água. Me sinto fraco, me sinto vivo e inexplicavelmente zonzo.

O que fica, depois dessa viagem, é a sensação de perda. Mais uma vez, acordo e me sinto vazio.
(Ou será que estou dormindo?)

HEHEHEHE, isso vai gerar confusão por aí. Mas admiro você falar justamente isso hoje. Sei bem o por que, você não me engana
Por favor, somente agora, me deixe em paz.
Que tal uma cerveja e bife frito com cebolas? Um pouco de queijo, talvez...
Cara, eu não tô com fome. Para de...
Quando um grande amor morre, trate de fazer um banquete em honra dele. Pare de ser mimado, moleque.
Você tem razão. Sabe, eu quase penso que você é meu amigo
No começo do texto eu nem existia... HEHEHEHEHEHE

quarta-feira, 14 de outubro de 2009



Você não dormiu ainda por que sabe que vai ter pesadelos, certo?
Em partes sim. Em parte eu não tenho sono. E não quero imaginar o que vou sonhar hoje.
Estive pensando, e se você resolvesse ir brincar de pega pega ou saísse procurando archanos e signos?
Todas as coisas têm um significado místico, eu sei, mas sair por aí procurando muita coisa me faria surtar.
Você? Surtar? HEHEHEHEHEHE


Abro os olhos. Não estou aonde queria estar. Algo estava errado.
Penso no cigarro no meu bolso e resolvo acendê-lo. Mas não consigo mexer os braços. Dou uma risada quase histérica e forço o corpo para frente. Querem me segurar, me manter ali. Querem que eu demore e que o tempo em Archadia passe rápido. Mas eu sou velho nesses jogos e sei muito bem que essas imagens podem ser desfeitas. Para minha surpresa, mexo os braços. Acendo um cigarro. Sento no chão.

Um quarto cinza. Em uma das paredes, um quadro com um círculo negro no meio. Dou uma risada e penso que é muita besteira fazer uma coisa dessas. Talvez eu estivesse sendo arrogante. Uma porta se abre e ele entra. É mais alto do que eu imaginava. Um cheiro pútrido invade minhas narinas e de súbito me noto amarrado na cadeira. Merda, eu tinha vacilado. Ele me olhava com frieza, desprezo e nojo. Parecia que eu tinha feito alguma coisa errada, quebrado alguma regra. Mas a regra número um dizia que não haviam regras. Mentirosos malditos.

Você está indo longe de mais, meu caro.
Onde é longe de mais?
O lugar onde as realidades se chocam
Então eu vivo no longe de mais.

A última coisa que vi foi o meu sangue escorrer no chão.
Estou agora no alto de um prédio. Chove muito e sinto frio. Uma mulher magra de aspecto doentio está do meu lado. Ela me olha com um ar curioso como se duvidando que eu fosse capaz.

Aprenda a ser Invisível. Eles estão boicotando você

Segundos antes de me chocar contra o chão, já não estou mais caindo. Estou em um quarto de mulher, não consigo enxergar muita coisa na penumbra, se não um cobertor vermelho e uma silhueta. Cinco ou seis deles. Pavor. Quero ir embora o mais rápido possível, mas sei que não posso. Eu tinha que presenciar aquilo.

Ela está quase chegando lá. Você vai se atrasar.

Estou cansado das mudanças bruscas para chegar aonde quero. Essa quebra de realidade temporal / espacial custa energia, e não adianta muito dormir se não vou descansar. Penso em uma maneira de morrer no cenário. Eu poderia tentar ver as palmas das minhas mãos, mas aquilo poderia me lançar em algum lugar longe. Penso em uma arma. Meu corpo estremece e sinto o peso dela no meu bolso. Tenho vontade de chorar.

Vampiros existem.

Estou caído e não consigo me levantar. Sentia o buraco que a bala tinha feito, mas não doía. Nesse ponto notei que era um sonho. Não conseguia abrir os olhos. Eu tinha que chegar, tinha que ir ao encontro dela. Ela deveria estar me esperando. De súbito, percebo que já estou lá. Sinto o cheiro do mar, sinto o cheiro do verte e o contato com a pedra. Mas era só uma parte do eu, não estava em meu corpo onírico. Era menos que o eu supremo, mais que tudo o que eu podia imaginar. Algo estava acontecendo e nada que eu fizesse iria impedir.

B...ba..bay.

Começo a cair furiosamente e acordo totalmente suado em minha cama. Tenho a nítida impressão de ter visto um sorriso como o de Cheshire. Maldito, isso queria dizer que...
Não. Não podia ser isso.


HEHEHEHEHEHE
Sabe, às vezes você parece um cão de pavlov.
Falou o gato de schrödinger...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quem é ele?




Que tal contar pra eles do sonho acordado?

Estou levemente impaciente e com dores de cabeça. Esses diálogos me deixam puto quando acontecem sem que eu queira.

Olha, eu não tô afim de contar nada pra ninguém cara. Me deixa fumar em paz.
Você tá com medo de parecer retardado né?
...
Mas todo mundo sabe que você é meio doido. Se não contar, eu conto.
Você é só fruto da minha imaginação. Se eu não quiser que fale nada, você não fala nada.
Você é que pensa, retardado.
Bastardo...
HEHEHEHEHEHE


Ele estava parado em frente ao portão. Um círculo estava desenhado no alto do mesmo e ele sabia que cruzar aquilo seria loucura. Ele não tinha o menor poder ali e apesar de saber meia dúzia de truques, não adiantaria muito naquele lugar. Se sentia oprimido e pequeno. Como se estivesse em frente ao portão do Inferno. Mas o que diabos aquele moleque estava fazendo ali? Ele deve ter aprontado muito...
Ele sentia calor. Parecia que iria começar a pegar fogo de uma hora para outra. A névoa no chão não tinha nada a ver com o cenário em tons de sépia. Era questão de tempo até ele me chamar com medo e pedir para que eu o tirasse de lá, que o fizesse acordar com medo em sua cama. Me renderia muitos lucros, mas até que eu gosto do merdinha. Ele era observado de longe, totalmente acuado e com medo. Ele tinha duas escolhas - ficar ali por um tempo incontável ou abrir o maldito portão. Bem, depois de fumar um cigarro ele resolveu abrir aquele portão. Ri quando ele queimou a mão e ri mais ainda quando ele notou que era só falar que o portão abriria. Ele não tinha a menor idéia de onde estava e não tinha a menor idéia de que era tudo armado. Eu queria que ele precisasse de mim, queria que ele tivesse débito.

Shakar*, apareça! Tenho medo e não consigo sair daqui - ele gritou com lágrimas nos olhos.
E por que tem medo?
Merda, tá escuro e quente e eu não sei onde estou. E tenho essa sensação de estar sendo vigiado.
Você deveria ficar mais. Ande mais um pouco e ache uma árvore.

Ele xingou baixinho e continuou vagando em meio ao nada. Notei sua impaciência e seu medo o fazerem chamar duas ou três vezes pelo acordar. Ri. Ele era medroso mas tinha jeito para crescer por ali. Mas era preguiçoso e imaginoso de mais. Resolvi ajudar e mostrei à ele onde estava a árvore. Ela era esguia e tinha folhas amarelas, frutos vermelhos e um halo azul em volta da copa. Ele se sentou, em sua base, e começou a recitar versos em Buthadamara-mudra. Espertinho. Ele iria passar 40 dias e 40 noites no deserto e nem sabia disso. Não se preparou com um banquete e nem levou água. Ele iria sofrer e crescer. No fundo, eu gosto do garoto.

Om Namo Shivaya Shankara Namah
Jai Guru Deva Om
Maldito bastardo de merda, me tira daqui.

Um triângulo com aros de fogo desce dos céus e se une a um que sobe.
Um pentagrama é traçado no ar, partindo do alto para a esquerda.
Um cubo é desenhado com aros de fogo.
Um triângulo isósceles é traçado ao centro.
Um segmento de reta.
Um ponto imóvel.
Silêncio.


Ele acorda na sala de aula, completamente suado e chorando. Todos o olhavam.
Eles não sabiam o que era o Inferno. E nem ele, mas estivera próximo de saber.

Pronto, agora eu fico calmo
Você fala pra cacete, maldito arlequim
Que moça! Acende um cigarro aí
Cara, esse treco tá sem noção de patético
Faz jus a quem escreve HEHEHEHEHEHE




*Shakar é um nome fictício.

Irrealidade onírica.


Acho que podemos começar explicando o que são sonhos, que tal?
Não sei, vou pegar café e acender um cigarro, depois penso no que falo.
Mas o que você vai falar aqui? Cê acha mesmo que vai ser interessante?
De que importa? Inferno, são só irrealidades oníricas, são sonhos acordados e vívidos!
Mas e se eles notarem a realidade dentro da irrealidade?
Bem... aí acho que eles vão ser obrigados a sonhar também, né?
Hehehehe, você não presta.
Cala a boca, é difícil escrever com você falando tanto.




A ilha era quente e tinha um vulcão. Era cercada de ilhas menores e tinha até um rio em uma delas. Um rio raso com chão de cascalho. O vulcão parecia ser inofensivo. Podia-se ver ao longe todo o verde da ilha e o contraste que fazia com o mar claro e o céu incolor. Havia uma pedra longa na praia e não se viam animais, como se vêem em filmes. Silêncio ensurdecedor, barulhos imperceptíveis. Um ar de mistério, dor e medo, mesclado a uma euforia e liberdade impressionantes. O Céu de Arcádia. O Inferno de Dante. Tudo isso misturado em uma aura simbólica quase impenetrável.
Eu não me lembro de minha roupa ou do motivo de estar ali. Me sentia herdeiro de alguma coisa, uma peça em um tabuleiro enorme de algum jogo oculto. Não uma marionete, não um controlador. Um eu desprovido da mácula que é o conceito do eu. Onirismo explícito e sabedoria que transavam em busca do infinito.
Algumas pessoas estavam comigo, não me lembro bem de quem eram. Lembro de uma ou duas vezes ter visto tudo de cima, como se eu fosse onipresente naquele lugar. Me senti enjoado quando voltei ao chão da última vez e notei que as pessoas me olhavam de um jeito diferente. De repente, gritos e uma vermelhidão e me vi no meio do mar, vendo a ilha de relance. Um homem magro e negro com uma máscara africana me olhava ao longe, e uma ou duas pessoas me olhavam e pareciam esperar o que eu iria fazer. Nadei até uma ilha próxima e olhei a Ilha com uma certa ira. Ali era meu reino, eu tinha que voltar. Peguei um caiaque (ou um pedaço de madeira, que diferença faz?) e remei até perto da ilha. Perdi o remo no caminho e vi o homem de máscara na minha frente, me impulsionando pra voltar. Os meus companheiros fugiam e eu estava atrás deles. Queria a liberdade. Queria voar.
Súbito, estava suspenso sobre as águas, correndo sobre elas com maestria e velocidade. Tomei impulso. Subi.
Voei alto e ao chegar ao topo notei que não era o meu eu. Senti meu corpo na cama e meu corpo no sonho. Caí, no rio de cascalho, com uma vontade imensa de chorar. Emocionado, não sei por que.
Me levantei e corri em direção às árvores. Caí de costas, em um buraco. Em uma árvore, uma teia. Nessa teia, as respostas.

Tudo girou, me vi em uma rua. Acabara de chover. Via pequenas gotas cairem sobre as poças nos cantos e notei que a arquitetura não era familiar. Nunca estivera ali, e ainda pensava na Ilha.
Isso é um Sonho, tome cuidado - alguém sussurrou. Senti um frio na espinha e notei que havia alguém ali. Quietus est - sussurro. Uma mulher me olha de uma das portas. A porta, fechada atrás dela, tinha um número e nesse número, um signo. Não me lembro quais são eles.
Ela me devorava e me apavorava. Ela me chamara ali, e eu não sabia a troco de que. Nunca, em minhas experiências, eu havia sido chamado a algum lugar para interagir. Talvez para testemunhar, talvez para ouvir. Para ser, nunca.

Onde está seu Deus?
Eu... eu não sei.
O que veio fazer aqui?
Eu fui chamado aqui, não?
Você não é mais tão criança. Vai aonde quer.

Um click em minha mente. Notei-a por completo. Sabia quem era, sabia o que queria. Repito a descrição dela sobre o que aconteceria, como parte de um ritual.

Venha, é tempo de nos possuirmos.
Doma-me, marca-me a carne
Já não temos tempo para os jogos. Venha. Não quero reverência, quero que me devore a alma e cuspa o universo que há em mim.

Abismos, cores, sons e perguntas incompreensíveis.
Acordei com a sensação de orgasmo e a vontade de chorar.

Hehehe, mas que post meia boca heim?
Isso é um sonho, seu idiota.
E você acha que as pessoas vão entender isso?
De que me importa?
Eu te conheço bem, rapaz. Sei das suas ânsias e dos seus medos. Não se esqueça, sou eu quem sussurro.

Acendo um cigarro.
Eu sei. Eu sei.
Ele sabe que eu perdi a fé.