quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Você tem medo da morte?
Não é bem medo... é mais como se eu não soubesse o que rola
Pode ser algum reflexo daqui. Eu não sei o que acontece, nunca morri do jeito biológico da coisa
Cara, você nem existe de verdade, para de falar merda
HEHEHEHEHE
Me diz, qual a importância real desses sonhos e visões?
Não sei se tem uma importância real. Talvez seja a importância que você dá e o que faz com o conhecimento que adquire disso. Não sei, não fui eu quem criei essas coisas.
Você fala de mais, deveria saber de mais também.
Tudo tem um preço, padawan.







Estou sentado nessa espécie de sala há horas. Não tenho vontade de sair dela e nem necessidade, mas estou começando a ficar realmente entediado. Imagino o centro de uma cidade qualquer e começo a deslizar para lá. Pessoas, tráfego, sinais e postes. Tão artificial que me parece estúpido acreditar. Não é como se eu acreditasse nessas coisas, é mais como se a minha percepção sensorial me prendesse à elas. Mas agora não estou à mercê de minha percepção sensorial.
Dou um sorriso e penso no semáforo. E se eu conseguisse, por um segundo que fosse, mudar a cor do sinal? E se eu conseguisse, por um segundo que fosse, alterar a realidade sensorial através dessa outra consciência? Eu deveria tentar, eu começo a tentar, mas algo tira minha concentração.

Ela estava com a roupa do dia em que nos conhecemos. Atravessava a rua com seu ar sério e fazia com que as pessoas olhassem para ela mesmo que ela mesma não notasse isso. Senti um aperto no peito e a imagem começou a se dissipar. Um grito. Me sinto irado. Ódio. Quero mais que tudo perturbar a ordem tangente das coisas e mudar a realidade de acordo com minha vontade. A imagem do local começa a se moldar e me vejo no quarto. Não era possível - havia algo de errado. Nem eu ou ela morávamos mais ali - já haviam se passado meses desde que tudo acontecera. Mas eu estava ali. E o quarto estava vazio - só haviam as marcas que havíamos deixado ali. Senti uma leve ponta de nostalgia e notei que não estava sozinho ali.

Você demorou pra voltar aqui.
Ando ocupado, não posso ficar preso a um acontecimento irreversível.
Fugir te ajudou em alguma coisa?
E quem disse que eu fugi?

Naquele momento me dou conta que estou presente em cada canto daquele lugar. Ali era uma espécie de lugar mágico para mim e nos influenciávamos. Sinto enjôo.
Noto que há uma Águia pousada no parapeito da janela. De costas para o quarto. Na sala, um Boi estava deitado onde antes era o sofá. No outro quarto, um Leão estava sentado, olhando diretamente para mim. Esphinge. Droga, mas eu não tenho tempo para esses jogos, isso é quase irrelevante para mim agora.

Não é por que você não quer que aconteça que não é importante.

A Serpente me olhava com um ar sedutor. Estava enroscada em meu braço direito e mantinha a cabeça afastada do meu corpo. Todos estavam ali - razão, instinto, emoção e vontade. Aquela era a hora zero na minha possível multi existência. Talvez fosse bobeira dar importância àquilo. Merda, tenho uma vontade incontrolável de olhar as palmas de minhas mãos. Mas não vou fugir. Não posso. Tenho que terminar isso, tenho que ver o que aconteceu.

Você me ama?
*Finjo que estou dormindo*

Então todos os animais somem e resta somente eu. Até mesmo 'ele' tinha ido embora. Ela não devia demorar mais tempo.
Ela chega pela janela, vestida como da primeira vez que a vi. Sinto o calor subir por mim, tomar conta dos meus pensamentos e sinto que vou acordar. Me concentro, digo algumas palavras e sei que ela nota minha apreensão. Ela me devora com os olhos e me rouba os pensamentos.

Toque-me. Posso ser sua agora. Você pode me ter aqui, sempre que quiser.

Caminho em direção à ela, com a mão direita estendida. Toco seu rosto. Sinto o calor de sua pele.
Com violência, arranco seu rosto. Ele sai como cera, em minha mão. Seu corpo cai e me sinto zonzo. O quarto gira e eu não sei mais onde estou.

Você tem certeza que quer jogar esses jogos?
Eu SOU esses jogos! Não me tente!

Acordo suado, mas com sensação de paz. Sinto no meu peito a sensação de ter sido tocado. Não me lembro bem do sonho, parece que ainda estou naquele quarto onde promessas e imagens foram criadas. Meu fantasma, enfim, havia achado paz.
Me levanto, acendo um cigarro e vou tomar um copo d'água. Me sinto fraco, me sinto vivo e inexplicavelmente zonzo.

O que fica, depois dessa viagem, é a sensação de perda. Mais uma vez, acordo e me sinto vazio.
(Ou será que estou dormindo?)

HEHEHEHE, isso vai gerar confusão por aí. Mas admiro você falar justamente isso hoje. Sei bem o por que, você não me engana
Por favor, somente agora, me deixe em paz.
Que tal uma cerveja e bife frito com cebolas? Um pouco de queijo, talvez...
Cara, eu não tô com fome. Para de...
Quando um grande amor morre, trate de fazer um banquete em honra dele. Pare de ser mimado, moleque.
Você tem razão. Sabe, eu quase penso que você é meu amigo
No começo do texto eu nem existia... HEHEHEHEHEHE

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