quarta-feira, 14 de outubro de 2009



Você não dormiu ainda por que sabe que vai ter pesadelos, certo?
Em partes sim. Em parte eu não tenho sono. E não quero imaginar o que vou sonhar hoje.
Estive pensando, e se você resolvesse ir brincar de pega pega ou saísse procurando archanos e signos?
Todas as coisas têm um significado místico, eu sei, mas sair por aí procurando muita coisa me faria surtar.
Você? Surtar? HEHEHEHEHEHE


Abro os olhos. Não estou aonde queria estar. Algo estava errado.
Penso no cigarro no meu bolso e resolvo acendê-lo. Mas não consigo mexer os braços. Dou uma risada quase histérica e forço o corpo para frente. Querem me segurar, me manter ali. Querem que eu demore e que o tempo em Archadia passe rápido. Mas eu sou velho nesses jogos e sei muito bem que essas imagens podem ser desfeitas. Para minha surpresa, mexo os braços. Acendo um cigarro. Sento no chão.

Um quarto cinza. Em uma das paredes, um quadro com um círculo negro no meio. Dou uma risada e penso que é muita besteira fazer uma coisa dessas. Talvez eu estivesse sendo arrogante. Uma porta se abre e ele entra. É mais alto do que eu imaginava. Um cheiro pútrido invade minhas narinas e de súbito me noto amarrado na cadeira. Merda, eu tinha vacilado. Ele me olhava com frieza, desprezo e nojo. Parecia que eu tinha feito alguma coisa errada, quebrado alguma regra. Mas a regra número um dizia que não haviam regras. Mentirosos malditos.

Você está indo longe de mais, meu caro.
Onde é longe de mais?
O lugar onde as realidades se chocam
Então eu vivo no longe de mais.

A última coisa que vi foi o meu sangue escorrer no chão.
Estou agora no alto de um prédio. Chove muito e sinto frio. Uma mulher magra de aspecto doentio está do meu lado. Ela me olha com um ar curioso como se duvidando que eu fosse capaz.

Aprenda a ser Invisível. Eles estão boicotando você

Segundos antes de me chocar contra o chão, já não estou mais caindo. Estou em um quarto de mulher, não consigo enxergar muita coisa na penumbra, se não um cobertor vermelho e uma silhueta. Cinco ou seis deles. Pavor. Quero ir embora o mais rápido possível, mas sei que não posso. Eu tinha que presenciar aquilo.

Ela está quase chegando lá. Você vai se atrasar.

Estou cansado das mudanças bruscas para chegar aonde quero. Essa quebra de realidade temporal / espacial custa energia, e não adianta muito dormir se não vou descansar. Penso em uma maneira de morrer no cenário. Eu poderia tentar ver as palmas das minhas mãos, mas aquilo poderia me lançar em algum lugar longe. Penso em uma arma. Meu corpo estremece e sinto o peso dela no meu bolso. Tenho vontade de chorar.

Vampiros existem.

Estou caído e não consigo me levantar. Sentia o buraco que a bala tinha feito, mas não doía. Nesse ponto notei que era um sonho. Não conseguia abrir os olhos. Eu tinha que chegar, tinha que ir ao encontro dela. Ela deveria estar me esperando. De súbito, percebo que já estou lá. Sinto o cheiro do mar, sinto o cheiro do verte e o contato com a pedra. Mas era só uma parte do eu, não estava em meu corpo onírico. Era menos que o eu supremo, mais que tudo o que eu podia imaginar. Algo estava acontecendo e nada que eu fizesse iria impedir.

B...ba..bay.

Começo a cair furiosamente e acordo totalmente suado em minha cama. Tenho a nítida impressão de ter visto um sorriso como o de Cheshire. Maldito, isso queria dizer que...
Não. Não podia ser isso.


HEHEHEHEHEHE
Sabe, às vezes você parece um cão de pavlov.
Falou o gato de schrödinger...

Nenhum comentário: